Ligue para Nós: (19) 3468.6961

Acesse nossa Fanpage

Terceiro Tempo

Mais cinco anos

 

Para adiar a escolha entre cuidador, "creche" e casa de repouso, a receita é combinar vida social com hábitos saudáveis e atividades de lazer. Segundo um estudo publicado no mês passado no periódico "British Medical Journal", os que mantêm essa rotina vivem até cinco anos mais.

 

Raimundo Marinho, 72, parece estar no caminho certo. Ele treina boxe quatro vezes por semana, não come carne vermelha, não fuma e não bebe. "Nesses anos, não tive nem contusão."

 

Já o ex-professor Pedro Paulo Dotto, 72, experimentou pilates, ginástica e natação, mas foi na faculdade que ele se encontrou. Dotto é um dos 120 alunos da Universidade Aberta à Terceira Idade, ligada à Unifesp, que oferece aulas gratuitas a maiores de 50 anos. "O convívio é maravilhoso. É tudo gente da minha geração", conta.

 

Viúvo, Dotto passou a namorar uma colega, mas cada um mora na própria casa. "Sozinho tenho a minha liberdade, a chance de respirar.

Há pouco mais de um ano, Lilly Grossmann, 90, vendeu a casa, doou os móveis e aportou com malas e retratos da família em um flat de alto padrão para idosos perto da avenida Paulista. "Não quis morar com minhas filhas porque sou muito independente. E elas ficariam dependentes de mim se eu morasse com elas", diz a funcionária pública aposentada, que ocupa uma unidade individual.

 

"Se quero ter privacidade, faço crochê no meu apartamento. Se quero sair para a rua, não me impedem", afirma Lilly, que tem à disposição salão de beleza, piscina para hidroginástica e jardim com orquidário. Na cidade de São Paulo, 8% dos moradores já passaram dos 65 anos, de acordo com o último Censo do IBGE, de 2010. Desde 1991, essa proporção que quase dobrou.

 

Para atender a esse contingente de mais de 900 mil pessoas, as opções de acolhimento para a terceira idade estão se diversificando - de centros de atividades para passarem só o dia a residenciais especializados, como o de Lilly. Com mais escolhas, aumentam as dúvidas de idosos e de suas famílias sobre a melhor alternativa para quando os parentes não puderem oferecer companhia ou cuidados diários.

 

A própria casa ainda é a melhor opção, segundo Wilson Jacob Filho, que dirige o serviço de geriatria do Hospital das Clínicas. "Ele já conhece o ambiente, se sente mais seguro e pode preservar a própria identidade", afirma. "Só que precisa avaliar a capacidade dele de se cuidar", ressalva.

 

Para a geriatra Cybelle Diniz, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), na hora da decisão deve pesar mais a lucidez. "Tem de avaliar se a pessoa apresenta alterações como irritação." Nessa hipótese, diz, uma casa de repouso pode ser mais indicada porque poupa conflitos na família.

 

Para não depender dos filhos, Ana Lyrs, 87, escolheu um residencial para a terceira idade depois de ter morado sozinha por um ano e meio. "Era muita solidão. O dia ficava comprido e eu me cansava de tanto ler e ver TV", lembra.

 

Há cinco anos, ela é uma dos 125 ocupantes de uma casa de três andares na Vila Madalena, com salão de festas, restaurante e lavanderia. A enfermagem funciona 24 horas por dia.

 

A possibilidade de companhia também agradou Cassiano dos Santos Neto, 66, que divide seu quarto com outros três senhores na Morada São João, no centro. O local, mantido pela prefeitura desde 2010, oferece 210 vagas para idosos encaminhados pelo serviço social. "É uma família que eu achava que nunca iria ter", afirma ele, pai de três filhos que não costuma ver.

 

Na unidade, uma das três do tipo geridas pelo município, os residentes recebem acompanhamento semanal de gerontólogo e psicólogos e são autorizados a sair durante o dia.

 

Segundo o médico geriatra Clineu Almada Filho, da Unifesp, as vantagens das clínicas de repouso são, sobretudo, sociais. "Sozinha em casa, a pessoa fica privada do convívio, principalmente se tiver pouca mobilidade", diz. Ele recomenda checar as instalações e a existência de serviços como enfermagem e fisioterapia.

 

No entanto, é comum a resistência a essa opção vir da própria família. "É uma maldade colocar numa casa de repouso depois que eles cuidaram da gente a vida toda", opina Erika Weber, 47, que mora com o pai no Itaim Bibi. Cadeirante, Raimundo, 78, tem a ajuda de uma cuidadora para banho, troca de roupas e remédios para o diabetes.

 

"Ele é maravilhoso, educadíssimo. Não tem como não gostar dele", afirma Elizete Valério, 29, que cuida há um ano do pai de Erika durante 12 horas, de segunda a sexta. "Tem que ser calma e não pode se intrometer na vida do paciente", diz ela, que cursou enfermagem e atua na área desde 2008.

 

Embora seja uma opção frequente, a ocupação de Elizete ainda não é regulamentada. Muitos profissionais acabam registrados como domésticos, o que pode desvirtuar suas funções originais, segundo Marilene Maciel, vice-presidente da Acirmesp (Associação dos Cuidadores de Idosos da Região Metropolitana de São Paulo).

 

"Muitas vezes ele acaba ficando com tarefas de diarista, como a faxina", diz ela, cuja associação, formada em novembro, ainda não tem registro para atuar como entidade independente. Para Maciel, dois grandes problemas são a falta de um piso salarial e as jornadas de trabalho excessivas.

 

Segundo pesquisa Datafolha de agosto, o salário de um cuidador que não dorme no emprego varia entre R$ 900 e R$ 2.000, para seis a oito horas diárias, com uma folga semanal.

 

Atualmente, tramita no Senado o projeto de lei nº 284/2011, que regulamenta a carreira e estabelece exigências como ensino fundamental completo e curso de formação.

 

"Existe cuidador que é contratado sem curso. Tem gente que trabalha com pacientes com Alzheimer sem ter o conhecimento específico", diz a vice-presidente da Acirmesp.

 

 

Tipo creche

 

Marlene Polycarpo, 65, experimentou a ajuda de um cuidador para a sua mãe, de 85 anos, mas não durou nem uma semana. "Era muito caro pelo pouco trabalho que ela dava, já que consegue fazer tudo sozinha", conta.

 

A alternativa que encontrou para que a mãe não ficasse sozinha em casa foi um centro-dia particular, uma das novidades desse mercado, como mostrou a Folha no domingo passado. De segunda a sexta, Maria Alice passa cerca de dez horas na instituição, voltando sempre para casa da filha.

 

"É uma decisão difícil porque é uma pessoa querida, mas eu tinha que viver também", conta a administradora aposentada."É como se fosse uma creche: ela toma banho, come, faz atividades e tem companhia", descreve.

 

Essa também foi a escolha da dona de casa Nanci Rainho, 49, que gasta R$ 60 diariamente para que sua mãe, Eduarda, 79, passe o dia em uma instituição do tipo na Vila Matilde (zona leste). "Casa de repouso é a última das opções", diz a filha. "Na 'escolinha', a minha mãe faz amizades, pratica esporte, se sente mais importante."

 

O geriatra Clineu Almada Filho, da Unifesp, recomenda cautela com esse tipo de instituição. "O idoso acaba perdendo a capacidade de montar a própria rotina", diz. "Se um dia ele vai e noutro não, pode embaralhar tudo."

 

Segundo a psicóloga Raimunda de Souza Lima, é comum que o centro-dia sirva de ponte para um futuro encaminhamento para o residencial. "Muitas vezes, é o familiar, e não o idoso, que precisa se adaptar a essa realidade. O centro-dia acaba servindo como preparação", diz ela, que há quatro anos e meio mantém os dois tipos de serviço no mesmo espaço, em Cotia.

 

O governo estadual pretende inaugurar três centros-dia na cidade, como parte do programa São Paulo Amigo do Idoso. A promessa é investir cerca de R$ 120 milhões em projetos como a construção de 249 centros de convivência e cem centros-dia no Estado.

Localização

CEP 13.465-320 - Rua Vicente Pavan, nº 40

Boa Vista - Americana/SP

Telefone Fixo: +(19) 3468-6961

Telefone Móvel: +(19) 9 8122-0346

Email: flordelizresidence@hotmail.com

REFORMULADO POR PERFECTIMAGE.COM.BR